
Como o Excesso de Peso pode Afetar sua Saúde
O excesso de peso vai muito além da estética, ele pode comprometer o funcionamento do seu corpo, aumentar o risco de doenças graves e até reduzir a expectativa de vida. A boa notícia? Mesmo uma "pequena" perda de peso, de apenas 5% a 10% do peso corporal, já traz benefícios significativos para a saúde física e mental.
EMAGRECIMENTO
Nutricionista Lillian Lima
10/22/20254 min read

Por que o excesso de peso é um problema para o corpo
Carregar peso extra exige mais do seu corpo em todos os sentidos. O excesso de gordura, especialmente a gordura abdominal visceral, não é apenas uma reserva de energia ela é metabolicamente ativa, ou seja, libera substâncias inflamatórias e hormônios que interferem no funcionamento normal de vários órgãos.
Essas substâncias favorecem processos inflamatórios silenciosos, que com o tempo podem causar:
Resistência à insulina abrindo caminho para o diabetes tipo 2;
Aumento da pressão arterial;
Alterações no colesterol e triglicerídeos;
Enrijecimento das artérias (aterosclerose);
Desregulação hormonal e aumento do estresse oxidativo.
Esse conjunto de fatores cria um ambiente propício para doenças cardiovasculares, metabólicas e até mesmo alguns tipos de câncer.
Peso e Saúde Mental: Uma relação de duas vias
Você já se perguntou se as pessoas ganham peso porque estão deprimidas, ou se ficam deprimidas por estarem acima do peso? A ciência mostra que as duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo.
Uma revisão publicada no Archives of General Psychiatry revelou que pessoas com obesidade têm 55% mais risco de desenvolver depressão, e pessoas deprimidas têm 58% mais risco de se tornarem obesas.
Algumas razões para essa conexão incluem:
Alterações na química cerebral relacionadas ao estresse e ao cortisol, o “hormônio do estresse”;
Queda na autoestima e no bem-estar emocional;
Padrões alimentares desregulados e episódios de comer emocional;
Uso de medicamentos antidepressivos que podem favorecer o ganho de peso.
A boa notícia é que, ao tratar o corpo e a mente de forma integrada com alimentação adequada, acompanhamento nutricional e apoio psicológico, é possível romper esse ciclo e recuperar o equilíbrio emocional e metabólico.
Apneia do Sono: Por trás do ronco
Roncar alto, acordar cansado ou sentir sonolência excessiva durante o dia pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono, um distúrbio muito comum entre pessoas com sobrepeso. Durante a apneia, as vias respiratórias se fecham temporariamente, interrompendo o fluxo de ar e fazendo o corpo “despertar” várias vezes por noite.
Essas pausas repetidas no sono podem:
Aumentar a pressão arterial;
Favorecer arritmias cardíacas;
Elevar o risco de infarto e AVC.
O tratamento da apneia passa, muitas vezes, pela redução do peso corporal, que diminui a compressão sobre as vias respiratórias e melhora a oxigenação durante o sono.
Peso, Doenças Cardíacas e AVC
As doenças cardiovasculares continuam sendo uma das principais causas de morte no mundo e o excesso de peso é um dos maiores fatores de risco.
A obesidade aumenta em até seis vezes o risco de hipertensão, e o acúmulo de gordura no fígado e nas artérias leva à formação de placas de gordura, prejudicando a circulação.
Segundo uma meta-análise publicada no Archives of Internal Medicine, o excesso de peso aumenta o risco de doenças cardíacas em 32%, e a obesidade, em 81%.
Mesmo pequenas elevações no peso corporal já são suficientes para alterar a função vascular e aumentar o risco de AVC.
Peso e Diabetes: Quando a Gordura vira Resistência
O termo “diabesidade” foi criado para descrever a forte ligação entre obesidade e diabetes tipo 2. Cerca de 90% das pessoas com diabetes tipo 2 estão acima do peso. Isso acontece porque o excesso de gordura, principalmente na região abdominal, causa resistência à insulina, dificultando que a glicose entre nas células.
Como resultado, o pâncreas precisa produzir cada vez mais insulina até chegar ao ponto em que ele se exaure. Esse processo silencioso pode levar anos, mas os danos como cegueira, insuficiência renal e amputações são sérios e duradouros.
Você pode ter síndrome metabólica se apresentar três ou mais destas condições:
Cintura abdominal maior que 88 cm (mulheres) ou 102 cm (homens);
Triglicerídeos acima de 150 mg/dL;
Colesterol HDL (“bom”) baixo;
Pressão arterial acima de 130/85 mmHg;
Glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL.
Essa combinação eleva significativamente o risco de diabetes tipo 2, infarto e AVC.
Peso e Câncer
A obesidade é hoje considerada a segunda principal causa evitável de câncer, atrás apenas do tabagismo. Um estudo da Sociedade Americana do Câncer, publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou 900 mil pessoas e revelou que o excesso de peso pode estar por trás de 14% das mortes por câncer em homens e 20% em mulheres.
Entre os tipos de câncer mais associados estão:
Mama, endométrio e ovário (em mulheres);
Cólon, reto, fígado, rim e pâncreas (em ambos os sexos);
Estômago e próstata (em homens).
Além dos efeitos hormonais e inflamatórios, há também o impacto comportamental: pessoas com obesidade tendem a adiar exames preventivos como mamografia, papanicolau e colonoscopia, muitas vezes por experiências negativas em atendimentos anteriores.
Peso e Expectativa de Vida
O excesso de peso pode reduzir de 5 a 10 anos da expectativa de vida. Isso acontece não apenas pelo aumento de doenças crônicas, mas também pela perda progressiva de mobilidade e funcionalidade.
Tarefas simples como subir escadas, caminhar curtas distâncias ou se levantar de uma cadeira podem se tornar desafiadoras.
Pessoas obesas têm até 2 a 3 vezes mais risco de morte precoce do que pessoas com peso saudável e quanto mais tempo se vive com excesso de peso, maior o impacto acumulado sobre a saúde.
Pequenas perdas, grandes resultados
O lado positivo é que não é preciso emagrecer muito para colher benefícios. Estudos mostram que perder apenas 5% a 10% do peso corporal pode:
Reduzir a pressão arterial;
Melhorar o controle da glicose e da insulina;
Diminuir o colesterol e os triglicerídeos;
Aumentar a disposição e o bem-estar emocional.
O excesso de peso não define quem você é mas compreender o impacto dele na sua saúde pode ser o primeiro passo para transformações profundas e duradouras.
Cuidar do peso não é sobre estética, e sim sobre autocuidado, vitalidade e qualidade de vida. Comece com pequenas mudanças: ajuste a alimentação, mova o corpo, durma melhor, cuide das emoções. Com o tempo, o corpo responde e a saúde floresce.
Fontes: Harvard Health Publishing ; The New England Journal of Medicine ; The Lancet ; Endocrine Reviews ; International Journal of Epidemiology
Nutricionista Lillian Lima
